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O que faz o software Cellebrite

Ultimamente temos ouvido falar muito do software israelense Cellebrite utilizado pela inteligência policial para obter dados de telefones apreendidos.

Mas o que esse poderoso software é capaz de fazer com sua inteligência artificial? Tanta coisa que nem vai caber neste post! Então vamos focar no seu uso com aparelhos móveis.

Obviamente o funcionamento exato do software é sigiloso por motivos comerciais mas imagino que, mesmo quando se apagam mensagens do aparelho elas permanecem na memória apenas com um status diferente de ativo/visível e é assim que o software consegue acessar e recupera-las (a grosso modo).

Vale lembrar que em grande parte do mundo se utiliza imensamente mais as mensagens nativas do telefone do que aplicativos comunicadores como o whatsapp ou telegram e que estes aplicativos utilizam criptografia e tem um sistema próprio de deleção de mensagens dificultando assim a vida de qualquer aplicativo que tente acessa-las.

Ocorre que, no ano passado o Cellebrite anunciou que conseguiu quebrar essa criptografia e talvez seja isso que estejamos vendo no caso do menino Henry com as mensagens que circulam entre a mãe e a babá.

Além disso o Cellebrite também é capaz de remontar o histórico de ligações e extrair dados do aparelho como fotografias, vídeos e demais informações.

Com as informações coletadas o software usa sua inteligência para montar informações úteis como linhas de tempo, fluxo de contatos e a informação bruta… Enfim, ele tem diversas opções que dão significado aos dados coletados do aparelho facilitando muito o trabalho da polícia.

Os dados obtidos podem ser usados como prova? Sim, podem, são comprovadamente dados íntegros. Pode-se questionar sua obtenção, se foi lícita, mas não a integridade dos dados neste caso.

Esse tipo de perícia é comum em casos de suspeita de crimes contra a vida complexos, organizações criminosas, crimes sexuais contra crianças e adolescentes… As possibilidades são muitas.

E como este software tem sido cada vez mais utilizado estamos vendo resultados não só no caso do menino Henry, nos casos que atuei já vi ser utilizado em sequestro e também em tráfico.

Você estaria pronto se periciassem teu celular?

Simone Cabredo
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